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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A integração e uso das TIC



Exceto pelo livro de texto e o quadro-negro, o uso de meios não é uma realidade generalizada em nossas instituições educacionais. O grau de integração das TIC nelas é condicionado por vários fatores. O primeiro, e possivelmente o mais importante, seria as atitudes e conceitos que temos sobre como deve ser desenvolvido o processo de ensino-aprendizagem. O professor pode adotar o papel de ser o protagonista desse processo; ou pode encontrar nas TIC um aliado para que lhe isente de certas tarefas, dando, assim, um papel preponderante ao aluno, passando de uma atitude passiva a uma posição ativa, tornando possível também a autonomia pessoal ao criarem-se ambientes em que abundam as informações, capacitando, dessa forma, os alunos para que possam aprender partindo de fontes de informação múltiplas e variadas. O segundo fator pode ser situado na formação e atualização do corpo docente, dado que essa formação não deve centrar-se exclusivamente na capacidade técnica de utilização de qualquer tecnologia, mas precisa levar em conta o fundamental: como ensinar utilizando as novas tecnologias para favorecer a aprendizagem; isto é, centrar-se na didática. O terceiro fator, logicamente, deve ser dotar e renovar os recursos e o material informático, posto que, indubitavelmente, é necessário, primeiramente, dispor de meios para introduzi-los, o que acarreta um significativo investimento econômico. A envergadura desse fator (e suas repercussões econômicas, políticas e sociais) vai determinar a qualidade e a quantidade dos resultados obtidos com a introdução das TIC, o que, por sua vez, vai influir na incidência que, em geral, tais tecnologias tenham na educação.
Definitivamente, para incentivar a integração curricular das TIC, é necessário considerar os seguintes princípios (Barroso e Romero, 2007, p. 195):
- Qualquer tipo de meio, do mais complexo ao mais elementar, é simplesmente um recurso didático, que deve ser mobilizado quando alcançar os objetivos, os conteúdos, as características dos estudantes, enfim, quando o processo comunicativo em que nos encontremos imersos o justifique.
- A aprendizagem não se encontra em função do meio, mas sim fundamentalmente sobre as estratégias e técnicas didáticas que aplicamos sobre ela.
- O professor é o elemento mais significativo para concretizar o meio dentro de um contexto determinado de ensino-aprendizagem. Ele, com suas crenças e aptidões para os meios, em geral e para meios específicos, determinará as possibilidades que possam ser desenvolvidas no contexto educacional.
- Antes de pensar em termos de qual meio vamos utilizar, devemos pensar em para quem, como vamos utilizá-lo e o que pretendemos com ele.
- Nenhum meio funciona no vazio, mas sim em um contexto complexo: psicológico, físico, organizacional, didático, de maneira que o meio será condicionado pelo contexto e simultaneamente o condicionará.
- Os meios são transformadores vicários da realidade, nunca a realidade mesma.
- Os meios, por seus sistemas simbólicos e formas de estruturar-se, determinam diversos efeitos cognitivos nos receptores, propiciando o desenvolvimento de habilidades específicas.
- O aluno não é um processador passivo de informação. Pelo contrário, é um processador ativo e consciente da informação mediada que lhe é apresentada, de maneira que, com suas atitudes e habilidades cognitivas, determinará a possível influência cognitiva, efetiva ou psicomotora do meio.
- Não devemos pensar no meio como globalidade, mas como a conjunção de uma série de componentes internos e externos: sistemas simbólicos, elementos semânticos de organização dos conteúdos, componentes pragmáticos de utilização passível, cada um deles, em interação e/ou individualmente, de provocar aprendizagens gerais e específicas.
- Os meios por si só não provocam mudanças significativas nem na educação em geral, nem nos processos de ensino-aprendizagem, em particular.
- E por último, não existe o "supermeio". Não há meios melhores que outros: sua utilidade depende da interação de uma série de variáveis e dos objetivos buscados, bem como das decisões metodológicas que apliquemos sobre eles. Podemos até preferir um meio a outro, um pode ser mais fácil de utilizar que outro; ou estar mais disponível, mas isso não significa que seja melhor que seu oposto. Essa postura nos leva imediatamente a outra colocação: a complementariedade e interação de meios deve ser um princípio e estratégia a ser utilizados pelos professores no momento da escolha e prática no projeto instrucional dos meios.

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