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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

TIC

Em relação à classificação das TIC, encontramos diversas apreciações em torno das correntes e linhas de pesquisa que vêm acontecendo nessa área. Assim, temos: pesquisas sobre meios de comunicação, pesquisas sobre meios de aprendizagem e pesquisas sobre meios no contexto didático-curricular.
Sem querer ser exaustivo, mas com a direta inteção de oferecer alguns exemplos, Majó e Marqués (2002) classificam as TIC e os mass media segundo sua função educacional em:
1. Meios de expressão e criação multimídia (para isso, necessitaremos os processadores de texto, editores de imagem e vídeo e som, editores de páginas Web, câmara fotográfica ou de vídeo, etc.).
2. Canal de comunicação (intercâmbio de informação e trabalho colaborativo), para isso, podemos trabalhar com o correio eletrônico, chat, videoconferência...).
3. Instrumento para processar a informação (folhas de cálculo, linguagens de programação, programa para o tratamento digital de imagem e som, etc.).
4. Fonte de informação e de recursos (os instrumentos utilizados são CD-ROM, vídeos DVD, páginas Web de interesse educacional na Internet, imprensa, rádio, televisão...).
5. Instrumento para a gestão administrativa e tutorial (Web do centro que nos permita realizar os trâmites de secretaria on-line, tutoria virtual...).
6. Ferramenta para a orientação, diagnóstico e reabilitação dos estudantes (páginas web específicas).
7. Meio didático e para a avaliação, em que se dá informação, realizam-se exercícios, avaliações, etc. (os instrumentos utilizados são materiais didáticos multimídia, simulações, programa para avaliar e programas educacionais do mass media, rádio, vídeo, televisão e imprensa).
8. Suporte para novos cenários de formação (ambientes virtuais de ensino).
9. Meio lúdico para o desenvolvimento cognitivo (jogos on-line e mass media).
Por outro lado, Pantoja (2004) realiza uma classificação das TICs que mais impacto têm na orientação nesses dois grandes grupos:
1. Básicas: são aquelas que funcionam por si só e, ao mesmo tempo, fazem com que funcione outro tipo de tecnologia. Encontramos nesse grupo o computador, o vídeo, o televisor, o telefone celular, a fotografia digital e o CD/DVD.
2. Baseadas em outras tecnologias: este grupo não tem autonomia, mas funciona a expensas de outras tecnologias. Basicamente, enquadram-se aqui as redes telemáticas, a videoconferência e o aparelhos de videogame.
Nós, por nossa parte, e unindo todas as classificações anteriores, propomos a seguinte classificação, o que nos orientará para acompanhar toda a disciplina.

A integração e uso das TIC



Exceto pelo livro de texto e o quadro-negro, o uso de meios não é uma realidade generalizada em nossas instituições educacionais. O grau de integração das TIC nelas é condicionado por vários fatores. O primeiro, e possivelmente o mais importante, seria as atitudes e conceitos que temos sobre como deve ser desenvolvido o processo de ensino-aprendizagem. O professor pode adotar o papel de ser o protagonista desse processo; ou pode encontrar nas TIC um aliado para que lhe isente de certas tarefas, dando, assim, um papel preponderante ao aluno, passando de uma atitude passiva a uma posição ativa, tornando possível também a autonomia pessoal ao criarem-se ambientes em que abundam as informações, capacitando, dessa forma, os alunos para que possam aprender partindo de fontes de informação múltiplas e variadas. O segundo fator pode ser situado na formação e atualização do corpo docente, dado que essa formação não deve centrar-se exclusivamente na capacidade técnica de utilização de qualquer tecnologia, mas precisa levar em conta o fundamental: como ensinar utilizando as novas tecnologias para favorecer a aprendizagem; isto é, centrar-se na didática. O terceiro fator, logicamente, deve ser dotar e renovar os recursos e o material informático, posto que, indubitavelmente, é necessário, primeiramente, dispor de meios para introduzi-los, o que acarreta um significativo investimento econômico. A envergadura desse fator (e suas repercussões econômicas, políticas e sociais) vai determinar a qualidade e a quantidade dos resultados obtidos com a introdução das TIC, o que, por sua vez, vai influir na incidência que, em geral, tais tecnologias tenham na educação.
Definitivamente, para incentivar a integração curricular das TIC, é necessário considerar os seguintes princípios (Barroso e Romero, 2007, p. 195):
- Qualquer tipo de meio, do mais complexo ao mais elementar, é simplesmente um recurso didático, que deve ser mobilizado quando alcançar os objetivos, os conteúdos, as características dos estudantes, enfim, quando o processo comunicativo em que nos encontremos imersos o justifique.
- A aprendizagem não se encontra em função do meio, mas sim fundamentalmente sobre as estratégias e técnicas didáticas que aplicamos sobre ela.
- O professor é o elemento mais significativo para concretizar o meio dentro de um contexto determinado de ensino-aprendizagem. Ele, com suas crenças e aptidões para os meios, em geral e para meios específicos, determinará as possibilidades que possam ser desenvolvidas no contexto educacional.
- Antes de pensar em termos de qual meio vamos utilizar, devemos pensar em para quem, como vamos utilizá-lo e o que pretendemos com ele.
- Nenhum meio funciona no vazio, mas sim em um contexto complexo: psicológico, físico, organizacional, didático, de maneira que o meio será condicionado pelo contexto e simultaneamente o condicionará.
- Os meios são transformadores vicários da realidade, nunca a realidade mesma.
- Os meios, por seus sistemas simbólicos e formas de estruturar-se, determinam diversos efeitos cognitivos nos receptores, propiciando o desenvolvimento de habilidades específicas.
- O aluno não é um processador passivo de informação. Pelo contrário, é um processador ativo e consciente da informação mediada que lhe é apresentada, de maneira que, com suas atitudes e habilidades cognitivas, determinará a possível influência cognitiva, efetiva ou psicomotora do meio.
- Não devemos pensar no meio como globalidade, mas como a conjunção de uma série de componentes internos e externos: sistemas simbólicos, elementos semânticos de organização dos conteúdos, componentes pragmáticos de utilização passível, cada um deles, em interação e/ou individualmente, de provocar aprendizagens gerais e específicas.
- Os meios por si só não provocam mudanças significativas nem na educação em geral, nem nos processos de ensino-aprendizagem, em particular.
- E por último, não existe o "supermeio". Não há meios melhores que outros: sua utilidade depende da interação de uma série de variáveis e dos objetivos buscados, bem como das decisões metodológicas que apliquemos sobre eles. Podemos até preferir um meio a outro, um pode ser mais fácil de utilizar que outro; ou estar mais disponível, mas isso não significa que seja melhor que seu oposto. Essa postura nos leva imediatamente a outra colocação: a complementariedade e interação de meios deve ser um princípio e estratégia a ser utilizados pelos professores no momento da escolha e prática no projeto instrucional dos meios.

AS TIC EM SALA DE AULA.

A alfabetização digital. Elemento-chave para professores e alunos


Se estivermos de acordo em que a sociedade mudou, posto que estamos em um mundo globalizado, não é menos certo que a instituição escolar também teve mudanças. Uma delas, possivelmente a mais importante, é o papel que tanto o aluno quanto o professor estão adquirindo, principalmente propiciado pela integração das TIC. Estas estão fazendo com que os centros educacionais de todos os níveis (infantil, primária, secundária e universidade) tenham de converter-se em espaços criadores de conhecimento, capacitadores de cidadãos e profissionais críticos no consumo da tecnologia. Fica manifesta, portanto, a necessidade de propiciar, ao mesmo tempo, mudanças tanto em professores quanto alunos, sobretudo quando eles começam a questionar a relevância dos métodos tradicionais de formação, já que o meio rico em recursos que as TIC podem oferecer, centrado no estudante, alteram de forma significativa a relação ensino-aprendizagem.
De acordo com Cebrián (2005, p. 22) as competências que os estudantes devem desenvolver estão centralizadas em saber procurar a informação, selecionar a informação relevante e de qualidade, saber recuperá-la, armazená-la, organizá-la e torná-la significativa. Ou seja: experimentar um processo de conhecimento (compreensão, gestão, estruturação, memória...), a partir e através das TIC. E, por outro lado, comunicar sua experiência, persuadir e ser sensível às influências dos meios tecnológicos, utilizando a diversidade de suas linguagens (audiovisuais, hipermídias...). Por sua vez, as competências que se exige de um docente é que tenha as seguintes funções:
  • Assessor e guia para favorecer no estudante a autoaprendizagem.
  • Motivador e fornecedor de recursos.
  • Projetista de novos ambientes de aprendizagem com as TIC.
  • Capaz de adaptar materiais a partir de diferentes suportes tecnológicos.
  • Produtor de materiais didáticos para diferentes suportes tecnológicos e objetivos educacionais.
  • Avaliador dos processos produzidos nesses novos ambientes e na interação desses recursos.
  • Concepção docente baseada na autoaprendizagem permanente nas e/ou com suporte das TIC.
Em resumo, os professores devem facilitar a aprendizagem dos estudantes aproveitando as possibilidades dos meios tecnológicos para que esta aprendizagem seja produzida em todas as suas dimensões. Essas competências sintetizam-se em quatro ações importantes:
  • O uso do TIC no planejamento de aula e de centro.
  • Diferentes métodos para trabalhar com as TIC em diferentes áreas e níveis.
  • Selecionar e avaliar recursos tecnológicos.
  • E, sobretudo, desejamos destacar a importância crucial que possui hoje saber utilizar as redes para a formação e desenvolvimento profissional do próprio corpo docente.